Atualidade & Opinião

25 DE ABRIL, DIA DE LIBERDADE!

Hoje assinala-se uma data determinante para o ativismo em Portugal. Foi a 25 de Abril de 1974 que foi reconquistado o direito a ter uma voz, a ter uma expressão, a defender as ideias em que cada pessoa acredita. E, assim, foi também reconquistado o direito ao ativismo.

Durante 48 anos, as pessoas que expressavam uma vontade de dar um novo rumo ao país era muitas vezes encarceradas, torturadas e, em casos mais extremos, assassinadas. Não havia liberdade para manifestações que fossem contra as intenções do regime. A censura e a repressão eram as ferramentas dominantes. 

Mesmo assim, muitas foram as pessoas que arriscaram a sua vida para tentar acabar com o regime totalitário e com a Guerra Colonial, unindo-se e mostrando a sua força. Apesar de terem sido muitas as tentativas falhadas, no dia 25 de abril de 1974 a união do povo derrubou finalmente a opressão ditatorial e deixou-nos os cravos para marcar a nossa memória coletiva.

Aquilo que era um golpe de Estado transformou-se numa revolução. 

Graças a esta revolução, hoje, em Portugal, podemos manifestar-nos reivindicando um futuro mais justo e sustentável. Contudo, é fundamental reconhecer este privilégio, já que muitas outras pessoas na luta são ainda silenciadas, presas ou mortas por dizerem exatamente as mesmas palavras que nós. Inúmeras são as notícias de ativistas que desaparecem por se manifestarem em defesa da floresta Amazónica.

Relembramos o testemunho da ativista do FFF India, Disha Ravi, que por amplificar as vozes de Most Affected People and Areas (MAPA) foi presa, mas não esquecemos que esta opressão não é exclusiva a países do Sul Global e na Rússia, por exemplo, não é permitido que as pessoas se manifestem coletivamente. É urgente usar a nossa liberdade e privilégio para dar visibilidade a todas estas pessoas que são sistemicamente silenciadas e fazem parte da luta!

Sabemos que uma das consequências deste marco histórico foi o fim da Guerra Colonial bem como a independência dos territórios africanos sob o domínio colonial português como Angola e Moçambique. No entanto, Portugal continua a explorar os recursos naturais e humanos destes territórios. A Galp é responsável pelos projetos neocolonialistas de exploração de gás fóssil em zonas como Cabo Delgado, em clima de violência e corrupção. Além das 550 famílias deslocadas, os jornalistas que reportam estas situações desaparecem, são detidos ou torturados. Mais uma vez, constatamos que a intervenção externa militar de Portugal salva empresas em vez de pessoas. Além disto, a Galp quer duplicar a produção de petróleo e gás fóssil, nas ex-colónias portuguesas, continuando a expropriar vidas e terras, nos mesmos 10 anos em que temos que cortar 50% das emissões a nível global. Estes projetos neocolonialistas não são exlusivos a Portugal e por isso, precisamos de acabar com esta visão extrativista e colocar a vida no centro da economia. Precisamos de um plano alternativo de sociedade e exigimos uma transição que seja justa!

Tal como em abril de 74, só é possível cumprir este plano revolucionário com um apoio social massivo, através da união das pessoas trabalhadoras.

É urgente envolver não só a parte técnica mas todos os setores da sociedade civil. Precisamos de um movimento construído por todes e para todes! Além disto, uma transição energética justa tem de ter em conta as pessoas trabalhadoras de setores poluentes. Cabe ao Governo proteger estas pessoas, garantindo um plano de requalificação, em vez de continuar a proteger os lucros das empresas privadas.

Os valores e o plano do 25 de abril são compromissos que ficaram por cumprir. Manifestarmo-nos é um privilégio e é nosso dever usá-lo para salvaguardar o futuro da vida na Terra. Um enorme agradecimento a quem lutou para que isto fosse possível!

Hoje, é preciso celebrar mas, sobretudo, agir.

25 DE ABRIL, SEMPRE!

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