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Luzianes: onde os comboios passam, mas não param

Existe, no Alentejo, uma aldeia esquecida, com 400 habitantes e que não tem transportes públicos. Luzianes-Gare é uma das freguesias mais recentes do concelho de Odemira, situada no seu interior e possuindo a mais baixa densidade populacional do mesmo. 

A construção da linha-férrea para o Algarve e da estação de Luzianes viria a mudar para sempre não só a paisagem, como a própria identidade da povoação. A estação ferroviária de Luzianes foi inaugurada em 1888, tendo como nome original “Estação de Odemira”. Serviu a população por mais de 1 século. A CP encerrou a estação em 2012, alegando “elevado prejuízo financeiro” e “falta de procura”.

Hoje em dia, a linha continua presente nesta aldeia isolada, mas a localidade do concelho de Odemira, o maior da Europa, já não tem quaisquer transportes públicos – o comboio passa várias vezes ao dia mas nunca pára.

A população vê-se, então, obrigada a recorrer a métodos de transporte individual, não havendo alternativas que sejam acessíveis para todos. Os idosos, que constituem uma grande maioria, para se deslocarem, veem-se dependentes da ajuda de alguém ou da utilização do táxi. Numa recente reportagem da TVI, ouvem-se testemunhos desta que “é uma terra que vai morrendo, onde desaparece tudo”. Sempre viveu da vida que a ferrovia lhe dava, tendo sido esta um agente de progresso e desenvolvimento para a zona.

A população precisa que o comboio volte a parar e não se conforma.

A linha do Sul, que lhe passa à porta, foi recentemente requalificada no valor de quase 2 milhões de euros.

O presidente da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL) e presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Vítor Proença, salienta, num comunicado enviado no passado dia 21 de Fevereiro, a importância dos “investimentos económicos existentes e dos que estão em curso”, mas que “apresentam défices enormes, particularmente no que diz respeito aos acessos rodoviário e ferroviário”.

Já em 2012, o presidente da Câmara Municipal de Odemira, José Alberto Guerreiro, declarava que “é necessário assegurar um serviço público mínimo, especialmente em zonas de baixa densidade como esta e onde escasseiam transportes públicos”.

É preciso lutar por uma ferrovia acessível, segura, pública e sustentável. O futuro é ferroviário.

Segundo a Agência Europeia do Ambiente (AEA), este meio de transporte é responsável por menos de 1% das emissões de gases com efeito de estufa relacionadas com a mobilidade. Urge expandir a ferrovia nacional e internacional para que pessoas e mercadorias possam ser transportadas de forma mais ecológica, contribuindo para a coesão e interligação do território. A rede de transportes públicos, por todo o território, deve ser eletrificada, tornada acessível e gratuita de modo a haver um abandono progressivo do transporte individual.

Dia 19 de Março, a Greve Climática Estudantil volta à ação, lutando por uma ferrovia que sirva as pessoas e não o lucro.

Bianca Castro e Joana Ferreira

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