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Aeroporto do Montijo Chumbado. Próxima Paragem: Uma Redução Justa e Rápida da Aviação

O projeto do aeroporto do Montijo parou antes de descolar. Para tal, contribuíram vários anos de luta contra esta construção, mas também o parecer da ANAC, que se viu impossibilitada a dar luz verde ao protejo, devido ao parecer negativo das Câmaras Municipais da Moita e do Seixal. Lutámos contra este aeroporto, tal como lutamos contra qualquer nova infraestrutura que vá emitir Gases de Efeito Estufa (GEE).


O governo criou duas alternativas para os seus planos, mas nenhuma delas é compatível com a meta de ficar abaixo dos 1,5ºC até 2100, em relação a níveis pré-industriais. A primeira é alterar a lei que exige os pareceres positivos de todos os municípios para projectos de “interesse nacional”; a segunda é usar Alcochete como aeroporto secundário. Face ao ritmo crescente de emissões anualmente, é imprescindível um decrescimento da aviação e um enorme investimento nos transportes públicos e eléctricos, com especial incidência na ferrovia. As propostas do governo são insuficientes, proferindo palavras incompatíveis com a sobrevivência da civilização humana, como “Neutralidade Carbónica até 2050”. Os governos criam a ilusão de ação, enquanto dão luz verde a projetos megalómanos, com um acréscimo de emissões de GEE garantido. 


Além da criação do novo aeroporto (quer no Montijo, Alcochete, ou em qualquer outro lado) temos também de parar a expansão do Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa. Esta expansão tem de ser impedida para evitar um aumento ainda maior das emissões de GEE para a atmosfera. Não podem ser construídas novas infraestruturas emissoras, isto é incompatível com um futuro digno. Se deixarmos que o governo prossiga com os seus planos, se deixarmos que as emissões não parem de aumentar, estamos a  legitimar ações contra as nossas vidas. É impossível um combate às alterações climáticas ao mesmo tempo que emitimos cada vez mais GEE. A nossa casa está a arder, não podemos alimentar o incêndio.


Quando 80% das pessoas no mundo nunca andaram de avião e o setor da aviação é responsável por 1% das emissões a nível global, torna-se evidente que a aviação não é um meio acessível à generalidade da população. O caso da TAP é um exemplo claro de como a gestão da empresa serve como um instrumento de manutenção da desigualdade social, particularmente alarmante em contexto pandémico. Os resgates feitos à TAP revertem para os acionistas, ao invés de garantirem o mínimo de segurança laboral. Os lucros dos principais responsáveis pela crise climática não são uma prioridade, a única prioridade é o investimento na transição justa, garantindo a requalificação e proteção das pessoas empregadas em setores poluentes, como a aviação. Esta é a única solução possível para nos mantermos abaixo dos 1.5ºC. 


O desinvestimento governamental em setores realmente necessários já é habitual, Desde o desinvestimento crónico em muitas das linhas que existiam em 1988, o pico da ferrovia portuguesa, ao encerramento dos comboios noturnos Lisboa-Madrid, fechando a nossa capital do resto da Europa. É preciso transitar da aviação para transportes mais acessíveis e sustentáveis.


Este decrescimento só pode ser feito de uma forma, rápida e justa. O sistema em que vivemos  gera a fragilização dos trabalhadores, criando muitas outras desigualdades. Não podemos resolver a crise climática sem uma ótica de justiça.


 O que é que isto significa?  

Significa que temos de assegurar a requalificação dos trabalhadores para Empregos para o Clima, os salários dos mesmos e a sua proteção social. Significa também que temos de agir já e que não podemos esperar até 2030 ou até que outra pandemia pare o sector da Aviação.

A pandemia em que vivemos veio a mostrar que um novo mundo é possível, e evidenciou também que os modelos que seguimos agora não são sustentáveis. Podemos aproveitar esta oportunidade para mudar a forma como viajamos. De um modo de vida acelerado e insustentavél  para viagens com os pés na terra.

Para mais informação sobre:

  • Transição Justa na Aviação – Clica Aqui
  • Empregos para o Clima – Clica Aqui

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