Nós e o mundo

Posicionamento da GCE sobre o encerramento da central de Sines

A questão do encerramento da central de Sines tem sido parte integrante da conversa sobre transição energética no nosso país. O movimento por justiça climática sempre viu no encerramento de todas as explorações fósseis um fim, de modo a responder à urgente transição energética que necessitamos. Reduzir as emissões carbónicas, proteger a biodiversidade e as comunidades locais- foram sempre estas as nossas grandes preocupações.

Quando foi anunciado o encerramento antecipado da central celebramos o facto de estarmos um pequeno passo mais próximo, a nível nacional, da tomada de ação política que temos vindo a ansiar. No entanto, não podemos compactuar com o que se passou de seguida.

Muitos trabalhadores da EDP viram a sua situação de trabalho, concertada quer através da transferência para outros locais, quer através da reforma antecipada. No entanto, centenas de trabalhadores indiretos, portanto, subcontratados, não têm qualquer perspetiva laboral. O ministério do ambiente e ação climática apressou-se a dizer que o desemprego não podia manchar a boa decisão de encerramento da central. Também assegurou que haveria planos de requalificação laboral mas, até agora, tanto o Instituto do Emprego e Formação Profissional [IEFP] como a Segurança Social dizem desconhecer qualquer ação nesse sentido.

A central fecha esta sexta-feira, dia 16, deixando quatrocentos trabalhadores sem emprego. Com esta realidade não podemos compactuar.

Sempre defendemos que as crises não podem ser pagas pelos mesmos de sempre: quem já se encontra fragilizado, mediante o atual sistema sócio-económico. A crise climática trará à tona as mesmas desigualdades e só um plano social a poderá solucionar. Defendemos uma transição energética que seja justa, integrando e requalificando os trabalhadores noutros setores e criando milhares de empregos públicos. Criar emprego ao reduzir emissões não é uma ideia de outro planeta, mas parece impossível. É nosso dever torná-la inevitável.

Para isso, integramos a plataforma Empregos para o Clima ( consultar aqui), que foi lançada em 2016 e conta com o apoio de várias organizações da sociedade civil, como sindicatos, ONGs e coletivos ambientalistas. Apoiamos e estamos solidários com o Sindicato independente das energias e Águas de Portugal (SIEAP), na defesa dos trabalhadores que se veem injustiçados. 

Voltaremos a sair às ruas para deixar bem evidente: não há justiça climática sem justiça social.

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