Nós e o mundo

#FightFor1Point5

Há cinco anos, 12 de Dezembro de 2015, líderes mundiais assinaram o Acordo de Paris. Ao fazê-lo, fizeram um compromisso para com o mundo, para com aqueles nas linhas da frente, e para com as futuras gerações: enfrentar a emergência climática e limitar o aumento da temperatura global em menos de 2ºC.

Contudo, as palavras continuam a não corresponder às ações e a crise climática continua a não ser tratada como uma crise. Passaram-se 5 anos de inação, de falsas promessas e de vazios políticos que apenas nos colocam cada vez mais perto do caos climático. Não podemos esperar mais. 

Não há propósito em pedir aos nossos líderes para honrar o compromisso que fizeram em Paris – que se revela, em si, insuficiente. Está na hora de nós fazermos os nossos próprios compromissos.

Estamos, atualmente, a experienciar como é viver num mundo 1.2 ºC mais quente, e isto já é uma catástrofe. O mundo está a arder, está a inundar, está a derreter, espécies estão em extinção, pessoas estão a afogar-se e a morrer de sede. Estamos mais e mais perto de pontos de não retorno desastrosos e irreversíveis. 

A ciência é clara acerca das consequências de o aquecimento global ultrapassar os 2ºC: seria destruir as condições materiais que permitiram a civilização humana, fechando os olhos ao agravamento da injustiça social climática que atinge sobretudo quem mais obstáculos enfrenta. De que nos serve salvar a economia se não houver pessoas, ar respirável, água potável, comida para comer e habitação onde viver?

A necessidade de mudança sistémica rápida e fundamental é clara. Até que tenhamos um sistema equitativo que proteja as pessoas e o planeta, todos, exceto os mais ricos, enfrentam pobreza e adversidades crescentes. A transição não tem apenas de ser mais rápida, mas também mais justa – para os muitos, não o 1%. A normalidade já era uma crise e aqueles que não repararam são demasiado privilegiados para tal. O sistema não está estragado, foi construído para ser injusto. 

A nossa casa está a arder. As casas das pessoas nas linhas da frente da crise climática já estão a arder há décadas – e os líderes mundiais continuam a alimentar estes fogos.

Cansámo-nos de vãs e ludibriosas respostas às exigências do planeta, casa de todos nós. Não há tempo a perder. As vozes de protesto ecoam por todo o lado. Na ausência de liderança, fazemos um compromisso uns para com os outros e para com o planeta – nós exigimos mudança e responsabilização. Nós vamos lutar pelo mundo que queremos. 

Comprometemo-nos a sair às ruas, a gritar, a protestar, a construir campanhas e conexões, a exigir mais e a evoluir para movimentos mais fortes.

Não baixaremos os braços e, tendo assinado o Acordo de Glasgow, comprometemo-nos também a criar um inventário com infra-estruturas e setores que precisam de ser fechados durante a próxima década, assim como uma agenda climática que nos permita limitar o aquecimento em 1.5 ºC. As medidas para combater a crise climática eram para ontem. 

Não vamos parar. Depende de nós, das pessoas, de todo o mundo, de todas as gerações, organizar, mobilizar e trazer a mudança que queremos ver no mundo. 

Merecemos um presente mais seguro e justo, e um futuro mais verde e sustentável para todas e todos.

Comprometemo-nos continuar a lutar pelo mundo que precisamos. 

Comprometemo-nos a lutar pelos 1.5. #FightFor1point5

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