Filosofia, Greve de Porta Aberta

A nós, assim como à Natureza, pertence-nos o futuro!

A natureza não é um ornato à conquista humana do mundo, nunca foi um adorno ao desvelar do homem industrial. É, ao invés, o comando e regente de todas as coisas. Maior será sempre a Física que a imatura menoridade da humanidade diante do Cosmos. Hoje, aviltam-se as vozes da Ciência, menosprezam-se os movimentos e manobras da comunidade no seu admoestar à inércia mundial perante a maior ameaça à civilização, olvidando-se o sangue derramado, oblitera-se, por ganância e descuidado, a sempiterna luta do indivíduo contra o extrínseco a si, causa da nossa elevação ao conforto da sociedade moderna, em Portugal, na Europa, no Ocidente. Pugnamos pela fome de outros sendo acionários maioritários do excesso e perdemos de vista as primeiras vítimas do retorno do mundo natural: os que desse não se separaram há tanto quanto nós.

De Ralph W. Emerson aprendemos uma lei obscura: “A Natureza veste sempre as cores do espírito.” O nosso vê-se negro e indistinguível da neblina poluente das potências cuja ação amola não só os de contacto em primeiro grau com as tragédias, tão inócuas em relação às vindouras, mas também os indivíduos mais distantes, de nome Europeus, dos quais a força e potencial elevam-se para lá do Parthenon e de Roma. Por que motivo, então, sendo assistida à gnose a futura desgraça, permanecem incólumes os seres de relevância e representação das massas que se esvaziam do seu tempo a cada dia de inação? Pelos dividendos, pelos DOW’s, pelos sinos das bolsas e os vapores da maquinaria, pela indústria bélica, de investimento inumerável, por uma vontade de mais, mais veloz, maior e mais extensa produção. O poder e as economias hodiernas são bestas necrófagas que se saciam do cadáver pútrido de uma Terra em decomposição.

A quem resta força senão ao indivíduo, lado a lado com o seu igual, não apenas para elevar a sua voz, mas berrar e bater o pé fazendo tremer o solo do qual a ganância retira do seio de sua mãe o vitelo; o solo onde altivamente inflamam o Amazonas em nome da avareza de uma minoria subatómica? Cabe-nos, aos resistentes, aos detentores de voz livre, mais do que no passado, trepar as muralhas de outrora e defender uma Natureza a nós comunicante pela violência, já que voz não possui. É da nossa responsabilidade, se acima da Natureza nos sentimos, dela cuidar, para a mesma não se esgotar. Os nossos gritos deverão ser ouvidos das mínimas autarquias aos corredores da ONU. Cabe-nos tudo isto hoje, a nós, não apenas portugueses, mas Europeus! Nós, cuja liberdade ainda não se vê na ponta de uma espingarda pois tememos agir! Nós, que, por esta causa, deste velho continente nos alçamos ao Globo!

Impera sobre nós a força da destruição que arrastou espécies de maior imponência ao submundo e o pobre estado da arte do ambientalismo impele-nos agir. Fá-lo, porque tudo até agora feito são passos minúsculos amedrontados pelo grande déspota – o cifrão presente em todas as carteiras. Não temamos então a nossa expressão pois também o poder em Democracia é a expressão do espírito do indivíduo e não o sendo, combatê-lo-emos obstinadamente, fraternamente com uma Natureza bélica, exibicionista, ou não terão sido as dissipações da poluição e retornos ambientais, frutos desta Pandemia, prova da nossa frívola e néscia ação sobre o mundo?

Para retomar à natureza as suas vestes de verdor e vigor, é necessário mudar os tempos e as vontades, mudar a cultura. Não fazer revoluções, que de Copérnico sabemos serem apenas órbitas sobre um mesmo corpo e a nós não nos pertence o passado nem o presente. A nós, assim como à Natureza, pertence-nos o futuro!

João Rochate da Palma, Estudante de Filosofia na FLUL

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